Miragem - o que a desaceleração tornou visível
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Algumas coisas não podem ser forçadas a existir.
Em abril, fui forçada a parar.
Um problema de saúde que pedia repouso, caminhadas lentas, menos. Menos movimento, menos criação, menos de tudo o que costumo preencher os meus dias.
Eu não gostei.
Mas saí na mesma. Devagar, um pouco mais a cada dia. E algures por entre essas caminhadas, sem intenção, comecei a absorver o que estava à minha volta. A luz na água. A forma como as canas se movem. Flores silvestres que nunca tinha notado antes. A cor do céu a uma hora específica que eu sempre estivera demasiado ocupada para ver.
Não estava a recolher inspiração. Estava apenas presente. Pela primeira vez em algum tempo.
Quando finalmente me sentei para trabalhar, Miragem surgiu em poucos dias. Como se já tivesse sido feita enquanto eu caminhava. Como se a quietude tivesse criado por mim.
É isso que é Miragem.
Não é sobre o mar, embora comece lá. É sobre o que acontece quando se abranda o suficiente para realmente ver. As formas, a luz, os detalhes silenciosos que só aparecem quando se deixa de passar apressadamente por eles.
Duas gotas. Dois estados de espírito. Uma coleção construída inteiramente a partir da presença.
Sol de Sal e Slow Tide chegam primeiro. After Dusk segue.
Mais em breve.
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